Recuperação de Mossul abre espaço para volta dos deslocados, diz ONU

A recuperação da cidade de Mossul pelo Exército iraquiano abre espaço para criar as condições necessárias para o retorno voluntário, seguro e digno dos deslocados pelo conflito, afirmaram nesta segunda-feira (10) as Nações Unidas em um comunicado . Em nota, o secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou o povo e o governo do Iraque pela sua “coragem, determinação e perseverança” e disse que a retomada da cidade é “um passo significativo na luta contra o terrorismo e o extremismo violento”. As informações são da ONU News.

Guterres manifestou solidariedade pela perda de vidas no conflito e desejou pronta recuperação aos feridos. Os atuais desafios em Mossul incluem a restauração do Estado de direito, evitando o retorno à violência e promovendo a responsabilização pelas violações cometidas. O secretário-geral disse através do seu porta-voz do que a ONU estará ao lado do governo nas ações para promover a volta da normalidade à cidade.

Estima-se que 700 mil pessoas ainda estejam deslocadas de Mossul, sendo que quase metade delas vive em 19 acampamentos de emergência. Muitos dos que fugiram perderam tudo e precisam de alimentos, cuidados de saúde, água, saneamento e kits de emergência.

“Quase o inimaginável”

O Escritório da ONU para Assuntos Humanitários revelou que se observam “níveis de trauma mais elevados que em qualquer lugar” em Mossul, onde as pessoas “viveram quase o inimaginável”, segundo a coordenadora humanitária da organização no Iraque, Lise Grande. Segundo ela, 920 mil civis fugiram de suas casas após o início da campanha militar para retomar a cidade em outubro de 2016.

Lise considerou um alívio saber que a campanha militar na cidade está no fim. Mas advertiu que a crise humanitária continua. As Nações Unidas atuam há meses no terreno, onde “grandes esforços foram feitos pelo governo e pelos parceiros na linha da frente para se estar um passo adiante da crise”.

A  coordenadora humanitária disse que as Nações Unidas fizeram o melhor possível para proteger e para ajudar a maioria dos que precisam de auxílio. Entre as próximas ações, que podem durar meses, a representante falou dos esforços de recuperação da cidade, onde 15 dos 54 bairros residenciais no oeste estão fortemente danificados e pelo menos 23 com danos moderados.

Além disso, ainda há civis em “extremo risco” estão isolados em áreas onde é provável que que ocorram confrontos. A meta é garantir que agências humanitárias estejam prontas para atuar nessas áreas.

Segundo Lisa Grande, as agências humanitárias já receberam 43% dos US$ 985 milhões do plano de resposta humanitária para o Iraque. Para cobrir as necessidades os parceiros exigem de US$ 562 milhões para atender as necessidades urgentes dos deslocados.

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