Bolsonaro diz que é pré-candidato às presidenciais de 2018

Uma de suas principais armas de marketing político é se apresentar como uma das poucas figuras nacionais que não foi enlameada pela gigantesca trama de corrupção na Petrobras, revelada pela Operação Lava Jato.

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O deputado de extrema-direita Jair Bolsonaro, que é identificado por muitos como um justiceiro que pretende acabar com a violência, a corrupção e a homossexualidade, definiu-se como o “patriota” de que o Brasil precisa, ao declarar à AFP que é pré-candidato à Presidência em 2018.

“O Brasil poderia ter um código penal que protegesse o cidadão de bem, fizesse valer (…) a legítima defesa e desse uma retaguarda jurídica para o policial poder desempenhar bem seu trabalho”, disse em coletiva de imprensa dada na quinta-feira no Rio de Janeiro.

Este ex-capitão do Exército de 62 anos aparece em segundo lugar em várias pesquisas de intenção de voto para as eleições de outubro de 2018, cujas candidaturas só poderão ser definidas entre julho e agosto do ano que vem.

Com um leque de propostas que inclui o direito ao porte de armas, ele abre caminho em meio a um eleitorado cansado de escândalos envolvendo políticos e da violência. Nas pesquisas, ele só é superado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e está praticamente empatado com a líder ambientalista Marina Silva (Rede).

“Vivemos no país da corrupção (…) Está em jogo o futuro do Brasil”, enfatizou.

Ao se projetar na Presidência, Bolsonaro se imagina “um presidente honesto, patriota, que pensa em verde e amarelo e que tem Jesus no coração”.

Embora na coletiva tenha evitado declarar oficialmente a intenção de lançar sua candidatura, à espera de um acordo com o Partido Patriotras, antes conhecido como Partido Ecológico Nacional (PEN), não deixou dúvidas em declarações posteriores à AFPTV.

“Sou pré-candidato às eleições presidenciais do ano que vem e estamos costurando aí a melhor maneira para enfrentar esse pleito”, afirmou.

– Brutal e familiar –

Adepto de declarações provocadoras e grosseiras, costuma ser tachado de racista, homofóbico e misógino. Em 2016, votou pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, dedicando seu voto ao coronel Brilhante Ulstra, que a torturou durante a ditadura militar (1964-1985).

Em uma escandalosa aparição pública, chegou a dizer, em 2014, à deputada Maria do Rosário (PT/RS) que “nunca a estupraria porque ela não merece” e a afirmar que preferiria que um filho seu morresse a ser gay.

“[Bolsonaro] está fora da elite política tradicional, (mas) domina a arte de fazer sua mensagem chegar às pessoas”, afirmou o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília.

Seus comentários ofensivos alternam com o tom ameno e relaxado que demonstra no contato com seus eleitores.

Sua popularidade se reflete nos 4,5 milhões de “likes” que seu perfil tem no Facebook, contra 2,3 milhões na conta de Lula.

Apesar da incredulidade que sua ascensão causa no próprio Congresso, Bolsonaro foi o legislador mais votado em seu estado em 2014. E, desde então, sua imagem só cresceu, a galope de uma sociedade exausta da corrupção e de crises econômicas.

Uma de suas principais armas de marketing político é se apresentar como uma das poucas figuras nacionais que não foi enlameada pela gigantesca trama de corrupção na Petrobras, revelada pela Operação Lava Jato. Uma lista que inclui o próprio Lula, o presidente Michel Temer e dezenas de legisladores com mandato vigente.

 

lAté outubro de 2018, muita água vai correr debaixo da ponte de um Brasil atormentado, que sai a duras penas da pior recessão de sua história.

Lula e Bolsonaro podem liderar as intenções de voto atualmente, mas também têm altos índices de rejeição, o que demonstra que há um espaço importante a ser conquistado por um candidato de centro.

 

AFP

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