Julia Ianina | Divulgação

Protagonista do novo longa de Ugo Giorgetti, Cara ou Coroa, que estreia dia 07 de setembro nos cinemas, e estrela da peça Rabbit, da dramaturga britânica Nina Raine, em cartaz no teatro Eva Herz, a atriz paulistana Julia Ianina desponta como uma das mais surpreendentes revelações do ano, nas telas e no palco.

Descoberta no teatro por Hector Babenco, com quem trabalhou no premiado Carandiru, Julia passou pelo Centro de Pesquisas Teatrais (CPT), de Antunes Filho, e formou-se no Teatro Escola Celia Helena, além de ser graduada em Letras, pela USP.

Na televisão estreou aos 11 anos na novela Éramos Seis, de Nilton Travesso. Fazia a pequena Carmencita, papel que lhe rendeu muitos elogios na época. Em 2001, criou com quatro amigas a Companhia Delas de Teatro (www.ciadelas.com.br), que em onze anos levou aos palcos oito espetáculos e ganhou duas vezes o APCA, um dos principais prêmios do país (em 2001 com Quase de Verdade, baseado na obra infantil de Clarice Lispector, e em 2011 com Histórias por Telefone). Nos últimos anos, atuou em diversos curtas-metragens, como O pão dos anjos, de Daniel Tonacci, e Temporada, de Luna Grimberg, que acaba de ser exibido no Festival Internacional de Curtas de São Paulo. “Venho participando de projetos que me orgulham muito. Este ano está sendo especial, por conta do filme do Ugo e da peça, Rabbit”, conta. O texto da peça, da dramaturga britânica Nina Raine, foi descoberto por Julia. “Sempre que posso, procuro textos que possam combinar com o trabalho que fazemos na companhia. Com Rabbit, foi assim.”

Elogiada por Felipe Hirsch (“Julia é uma atriz com belos gestos e emoções na maneira de conduzir a cena, tenho certeza de que será uma das grandes”), trabalhou com o diretor em 2010 no espetáculo Cinema, da Sutil Companhia. No teatro, destaca-se também a sua impressionante atuação em Os amigos dos amigos (2011), peça baseada na obra de Henry James e vencedora do Cultura Inglesa Festival 2011.

A estreia do longa-metragem de Ugo Giorgetti lança luzes sobre o trabalho de Julia. Giorgetti, conhecido por apostar em atores talentosos que construíram sua carreira no teatro, encontrou nela a protagonista perfeita para a sua história. No filme, Julia vive Lilian, a neta de um general aposentado (Walmor Chagas) que ajuda o namorado a esconder refugiados políticos no porão da casa onde vive com o avô. O longa, que se passa em 1971, retrata de maneira delicada os anos de chumbo no Brasil.

Em Rabbit, a personagem de Julia não poderia ser mais diferente. Saem a delicadeza e a ingenuidade de Lilian, entram a agressividade e rebeldia da protagonista Bella. Rabbit é uma espécie de peça de geração. Trata do significado emocional de se tornar adulto nos anos 2000, e se passa numa única noite, a do aniversário de 29 anos de Bella – os mesmos 29 anos de Julia. “São duas personagens completamente diferentes. Começando pelo contexto em que vivem, a década de 70 e os anos 2000. Na peça, tive que buscar uma energia agressiva, de uma menina mimada que precisa enfrentar a iminente morte do pai. Já no filme, a Lilian é uma menina doce que vive com o avô, mas que decide se arriscar para ajudar dois desconhecidos”.

Jovem, mas já com uma carreira plural e com ares cult, Julia desponta como uma new face de muita qualidade, uma atriz sofisticada, pronta para novos desafios.

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