Gloria Pires e Miranda Otto

A história da passagem pelo Rio de Janeiro da americana Elizabeth Bishop, um dos maiores nomes da literatura americana, na década 1950, ganhará as telas de cinema em Flores Raras, novo longa de Bruno Barreto, cujas filmagens têm início na próxima semana e terão Glória Pires e a australiana Miranda Otto, de “O Senhor dos Anéis”, como protagonistas. 

“Fiquei entusiasmada quando li ‘Flores Raras e Banalíssimas’, em que o filme é baseado, em 1995. Essa possibilidade da convivência de duas culturas me encanta. Além disso, queria resgatar a memória da Lota, que hoje se restringe a uma plaquinha em uma passagem subterrânea no Parque do Flamengo”, diz a produtora Lucy Barreto, que levou 17 anos para tirar o projeto do papel.

Flores Raras vai mostrar que Elizabeth foi obrigada a interromper a viagem de navio que fazia pela costa e prolongar sua estada na cidade do Rio de Janeiro devido à reação alérgica causada pela castanha de um caju. Nesse período, Elizabeth reencontrou a urbanista brasileira Lota de Macedo Soares, idealizadora do Parque do Flamengo, com quem iniciou um longo e conturbado romance. As informações são da Globo Filmes.

O longa está previsto para estrear em 2013 e será quase todo falado em inglês, língua na qual as personagens se comunicavam. Flores Raras mostrará ainda, a história de amor desde o encontro no Rio ao final trágico em Nova York, passando pelos 15 anos de convivência em um reservado sítio em Petrópolis e pela viagem que fizeram à Itália.

A filmagens serão feitas em duas metrópoles, bem como por Veneza e Pedro do Rio, município da Região Serrana fluminense. A homossexualidade não será o tema central embora o filme retrate a primeira relação sexual de Lota (Glória Pires) e Elizabeth (Miranda Otto).

“Eu e Carolina (Kotscho, que assina o roteiro ao lado de Matthew Chapman) resolvemos falar das perdas de como o relacionamento as alimentou e transformou. Foi o período mais produtivo de ambas”, explica o diretor, que assina produções como “Dona Flor e seus Dois Maridos” e “O Que é Isso, Companheiro?”.

O diretor faz referências sublimes aos comportamentos de Lota e Bishop, que se modificam ao longo do romance. Fragilidade, alcoolismo, e a estabilidade emocional em uma gangorra de sentimentos serão disponibilizadas dentro da contra partida à formação emocional da brasileira, segura e empreendedora, fragiliza-se à medida que a relação e a construção do Parque do Flamengo fogem ao seu controle.

Miranda, que interpretou Éowyn em “O Senhor dos Anéis”, conta que aceitou o convite do diretor para viver Bishop assim que leu o roteiro e que o gosto por conhecer lugares diferentes também a animou. “Ao ler a história, pensei: ‘Tenho que ir! Adoro essa mulher!’. Desde que cheguei ao Rio, sinto-me um pouco como ela, uma estrangeira em um país acolhedor”, conta.

Já a colega Glória Pires, apesar de estar em casa, enfrentará o desafio de interpretar em uma língua diferente da sua. “Falo inglês direito, pois já morei fora e viajo com freqüência, mas uma coisa é falar sem compromisso, outra é interpretar em inglês. Como fui convidada há 17 anos para o filme, venho me preparando pouco a pouco ao longo desse tempo, mas estou tendo ajuda também durante os ensaios”, explica ela, que pesquisou a maneira como Lota agia diante de autoridades e da burocracia.

As duas terão a companhia de Tracy Middendorf, Treat Williams e Marcelo Airoldi no elenco. Este último interpretará o polêmico Carlos Lacerda, governador do estado da Guanabara na época em que o Parque do Flamengo foi concebido.

 

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