Cena do filme Jovens Adultos
Cena do filme Jovens Adultos

Marcella Vieira / Agência Rio – É o saudosismo o sentimento que atravessa Jovens adultos, nova produção da dupla responsável por “Juno” (2007), formada pelo diretor Jason Reitman e pela roteirista Diablo Cody. Centrado na história de Mavis Gary (personagem que rendeu uma indicação ao Globo de Ouro à atriz Charlize Theron), o filme mostra, da maneira agridoce que é a marca de Reitman, que a moça, dona de uma autoconfiança fajuta, não consegue esquecer o ex-namorado de uma cidadezinha de Minnesota, de onde ela saiu há anos em busca de uma vida mais agitada e menos óbvia do que a que seus pais construíram.

Após passar por um divórcio e sofrendo crises de criatividade para dar sua última contribuição como ghost writer a uma série de livros para o público adolescente, Mavis retorna à antiga cidade disposta a reconquistar Buddy Slade (Patrick Wilson), mesmo sabendo que ele está casado e com um filho recém-nascido. A partir daí, sobram desculpas para estar de volta àquele lugar. Mavis remói as lembranças e acredita que somente a retomada do velho relacionamento lhe trará felicidade.

Reitman é um diretor cheio de referências pop, sobretudo se seu filme for roteirizado por Diablo Cody (a obra anterior dele, “Amor sem escalas”, cujo roteiro foi adaptado pelo próprio, era menos pop e mais adulto). O saudosismo está concentrado nos anos 1990, mesma década em que Mavis e Buddy eram um casal. O sentimento é visível nas camisas das bandas Pixies e Breeders, usadas pelos personagens Matt (Patton Oswalt) e Beth (Elizabeth Reaser), mulher de Buddy. E também na obsessão de Mavis por uma música dos escoceses do Teenage Fanclub. Todos ícones do indie noventista, cheios de cinismo, depressão, niilismo e ironia, assim como Mavis.

Chalize Theron em Jovens Adultos
Charlize Theron em Jovens Adultos

A sul-africana Charlize Theron, uma das melhores atrizes de sua geração (aquela surgida exatamente em meados dos anos 1990), está muito bem. Wilson, com papel meio bobão, também. Mas quem mais se destaca é Patton Oswalt, cujo amargurado Matt constrói uma estranha amizade com a personagem principal. Comediante nato, formado no stand-up, o ator mostra que deixou mesmo para trás os tempos de coadjuvante da finada série “The King of Queens” e vem abraçando tipos mais amargurados, como o que interpretou no pouco visto “Big Fan” (2009).

A personagem de Mavis não ganha, de cara, a simpatia de ninguém, o que, no filme, é um mérito. Suas falhas são muitas e escancaradas o tempo todo: a infantilidade, as constantes bebedeiras, a falta de carinho com a família, a arrogância, a futilidade – ela gasta parte de seu tempo assistindo ao reality show da família Kardashian, por exemplo. Os diálogos de humor, como em todas as obras de Reitman, se aliam aos momentos de pequenas tragédias humanas: a deficiência de Matt ou a mórbida mania de Mavis de arrancar os cabelos.

A personagem central, que de mocinha ou heroína não tem nada, não gera ódio e nem amor. O que fica é a sensação de piedade, por parte do público e dos demais personagens. “Jovens Adultos”, que teve sua estreia adiada no Brasil para o dia 6 de abril, mostra que crescer é mais importante do que só ficar mais velho.

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