Cartaz de Protegendo o Inimigo
Cartaz de Protegendo o Inimigo

Agência Rio – Na última década, com o acontecimento de eventos como o 11 de Setembro e culminando com o surgimento do Wikileaks, a CIA nunca mais foi a mesma. Pelo menos não no nosso imaginário, fomentado pela cultura pop. Seja no cinema, quadrinhos, vídeo games ou séries de TV, a Inteligência Americana não transmite mais o heroísmo de outros tempos. Claro que filmes com um olhar mais cético sobre os homens da CIA já são feitos há décadas, mesmo em Hollywood, como nos casos de “Sob Fogo Cerrado” (1983), de Roger Spottiswoode, até o injustiçado “Assassinos de Elite” (1975), de Sam Peckinpah.  Mas nos últimos anos, duvidar do caráter dos homens e mulheres que trabalham nas engrenagens da política mundial se tornou “ok” para a indústria e o filme “Protegendo o Inimigo” (Safe House), do diretor sueco Carlos Espinosa, estreando em Hollywood, é mais um a seguir esta corrente.

Na trama Ryan Reynolds é Matt Weston, um agente novato da CIA cuja função é tomar conta de um abrigo (a “safe house” do título) na Cidade do Cabo, Africa do Sul, para onde criminosos internacionais capturados na região são enviados para interrogatório e prisão. Frustrado com sua rotina e ansioso em mostrar serviço, a vida de Weston muda radicalmente quando o malicioso Tobin Frost (Denzel Washington), um ex-agente traidor, é capturado e levado para o seu abrigo. Quando este está sendo torturado (como disse, a CIA já não é mais a mesma…), homens invadem o local atrás de Frost e Weston se vê obrigado a fugir com o prisioneiro, encarando um verdadeiro “batismo de fogo”, o qual, como sempre, nada é o que parece.

O filme segue fielmente a cartilha moderna dos filmes de ação, com câmera inquieta, cheio de closes e cortes rápidos. Embora Espinosa não comprometa a visão da ação como em muitos filmes contemporâneos, a necessidade de expressar violência e energia através das lentes compromete o resultado final em alguns momentos. Embora cenas como a invasão do abrigo, que apresenta ecos do nosso “Tropa de Elite” (2007), e as cenas na favela de Langa tenham bastante tensão, as cenas de luta não têm a mesma pegada de filmes de estética similar, como “Busca Implacável” (2008). Outra característica contemporânea usada em excesso é o barulho, o volume do som dos tiros e explosões é desnecessariamente alto. Poderia se justificar o volume em momentos onde algum personagem é baleado inesperadamente, mas em todas as cenas de ação?

Outro detalhe que incomoda é a direção dos atores. Denzel Washington atua com sua competência habitual, mas não deixa de soar como uma versão mais clean e menos cativante de seu Alonzo Harris, personagem que lhe valeu o Oscar em “Dia de Treinamento” (2001). Ryan Reynolds, embora esforçado, não consegue transmitir de maneira equilibrada fragilidade e inocência com a fúria e a astúcia de seu personagem. Fora o desperdício de talento dos atores Robert Patrick, Sam Shepard, Vera Farmiga e Brendan Gleeson. Embora os filmes de ação tenham a (injusta) fama de serem veículos de baixa qualidade para atores inexpressivos, o diretor tinha um elenco competente em mãos, mas seu trabalho, junto ao roteiro minguado de David Guggenheim, não oferece grandes momentos para nenhum deles. “Protegendo o Inimigo” pode servir de passatempo despretensioso em um fim de semana no Shopping, mas pode não agradar os fãs mais exigentes do gênero.

O filme estreia sexta-feira (16/3) nos cinemas brasileiros.

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