A Invenção de Hugo Cabret
A Invenção de Hugo Cabret - Divulgação

Além de ser um dos melhores diretores de cinema de todos os tempos, o nova-iorquino Martin Scorsese é um dedicado militante da sétima arte. Prova disso é que ele preside a World Film Foundation, programa dedicado à preservação e à restauração de filmes e películas perdidos em todo o mundo (a instituição tem representantes em diversos continentes). E é com esse espírito, de pura homenagem ao cinema, que ele e o roteirista John Logan decidiram adaptar para as telas a obra infanto-juvenil A Invenção de Hugo Cabret, do escritor americano Brian Selznick.

Indicado a 11 Oscars, o filme – rodado em 3D – estreia no Brasil sexta-feira (17/2) e conta a história de Hugo (Asa Butterfield), menino órfão que vive na estação de trem Gare Montparnasse, na Paris de 1931. Cheio de sonhos e levando adiante a paixão de seu falecido pai (interpretado por Jude Law, em uma aparição curta, porém marcante) por relógios e máquinas, Hugo herda e “cria” com o máximo de carinho um autômato que faz um desenho da mais clássica cena de “Viagem à Lua”, filme de 1902 do francês Georges Méliès.
Pelo olhar do desamparado Hugo, com a ajuda de sua amiga Isabelle (a ótima Chloë Grace Moretz), o que vemos é uma homenagem emocionada ao cinema e ao mágico mundo criado por Méliès, ilusionista profissional que foi precursor do uso de efeitos especiais e de técnicas como o stop-motion. Autor de mais de 500 filmes, o francês fez obras tão diversas e importantes como “A Viagem Impossível” e “Solar do Diabo”, um dos primeiros filmes de terror da história.

O encerramento precoce da carreira de cineasta de Méliès causado pela 1ª Guerra Mundial é contado com delicadeza e ótimos flashbacks. A tentativa de recuperação da memória de seus filmes, por meio de Hugo, Isabelle e do professor Rene Tebard também iluminam o filme com tons de esperança. “A Invenção de Hugo Cabret” é ilustrado ainda com outros sensacionais personagens. É aí que os destaques ficam por conta das belas interpretações de Ben Kingsley e de Sacha Baron Cohen, que brilha como o rígido e desengonçado inspetor da estação de trem, sempre louco para enviar os meninos que perambulam pelo local para o orfanato. Hugo é o único que escapa – para alegria do cinema e dos amantes da obra de Georges Miélès. As lindas cenas de uma Paris anterior à devastação provocada pela 2ª Guerra são incríveis, talvez no que seja o melhor uso do 3D desde o impacto visual do arrasa-quarteirão “Avatar”.

Ter o maior número de indicações ao Oscar deste ano pode não representar muito no dia da cerimônia. O filme deve ganhar prêmios nas categorias técnicas, mas, até o momento, o de maior relevância foi a vitória de Scorsese como melhor diretor no Globo de Ouro. No Screen Actors Guild Awards, um dos principais termômetros para o Oscar, ele passou em branco. Ainda assim, não há ausência de premiação que tire o encanto de Hugo Cabret.

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