A Caixa Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 24 de maio a 05 de junho, a mostra “ Andy Warhol 16mm” composta de 23 filmes dirigidos por um dos artistas mais importantes do século XX. Restaurados e provenientes do acervo do Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York, os filmes foram produzidos entre 1963 e 1968, considerado o período mais provocador e transgressor da obra do artista norte-americano.

A mostra Andy Warhol 16mm recriará as condições originais das exibições desses filmes, de forma inédita no Rio de Janeiro: promoverá sessões das versões integrais dos filmes “Empire” e “Sleep” (respectivamente com cerca de oito e seis horas de duração), exibirá sessões com dois projetores simultâneos e homenageará o Exploding Plastic Inevitable, com filmes mudos do artista acompanhados pela execução de música ao vivo com Pedro Sá e Domenico Lancelotti. O Exploding Plastic Inevitable era um evento multimídia no qual Warhol agregava múltiplas projeções de filmes e slides com apresentações da banda Velvet Underground.

O filme escolhido para abrir a mostra é “Sleep” (5 horas e 21 minutos de duração), a primeira experiência cinematográfica de Warhol. O evento terá ainda um catálogo com textos de Jonas Mekas, lendária figura do cinema underground americano que foi responsável pela exibição de muitos dos primeiros filmes de Warhol e operou a câmera em “Empire”, e Ken Jacobs, importante cineasta experimental que foi projecionista de “Sleep”. O catálogo também conta com uma entrevista exclusiva com Billy Name, iluminador de parte dos filmes exibidos na mostra e braço direito de Andy Warhol no seu estúdio. A grande maioria dos filmes de Warhol nunca teve lançamento oficial em DVD, o que torna a mostra uma oportunidade única de ter contato com essas obras.
Warhol e Cinema

A produção cinematográfica de Andy Warhol, muito discutida mas pouco exibida no Brasil, teve importância central na sua produção artística na década de 1960, tendo sido um fator essencial de popularização da sua obra, por conta da atenção que a mídia impressa e televisiva dava a ele e aos astros dos seus filmes, os chamados “superstars” (termo que Warhol criou) – a socialite Edie Sedgwick, a cantora Nico, a atriz-literata Viva, os atores Joe Dallessandro e Paul America, a banda Velvet Underground, e muitos outros.

Em 1964, Warhol chegou a declarar publicamente que deixaria de pintar, e só faria filmes a partir de então, porque eram “muito mais fáceis de fazer” (evidentemente, essa promessa não se cumpriu). Contemplativos, experimentais e frequentemente retratando tabus da sociedade americana, os filmes chocavam na mesma medida em que fascinavam. O mais bem sucedido deles, comercialmente, foi “Chelsea Girls”, com três horas e meia de duração e composto de duas projeções 16mm simultâneas, que mostravam cenas de sensualidade, psicodelia e muitos diálogos e monólogos improvisados por um vasto elenco de estrelas da Factory, o ateliê/estúdio de Warhol. Por esta particularidade de projeções simultâneas, a sessão na CAIXA Cultural torna-se rara e imperdível.

Os seus filmes mais famosos, provavelmente, são os experimentos ainda mais radicais “Sleep” e “Empire”. O primeiro mostra um homem dormindo em quase seis horas de projeção; o outro, durante oito horas, mostra o balé de luzes internas e externas que transformam durante a noite o contorno do Empire State Building, em Nova York.

A busca da reprodução de uma duração de “tempo real” no cinema é algo presente em todos os filmes de Warhol, com um esvaziamento de “acontecimentos” que traz à tona outros desdobramentos do comportamento humano e da imagem.

Nos anos 1960, Andy Warhol alcançou um grande nível de repercussão entre intelectuais e artistas que se desdobra até hoje na videoarte, na performance-arte e mesmo no cinema comercial contemporâneo. “O esgarçamento narrativo, a ausência ou pouca importância dada ao roteiro, o registro de rostos e corpos como potências criativas e a exposição direta de atos cotidianos antes interditos para o cinema respeitável tornaram-se influências decisivas na arte audiovisual desde então. O acesso a esses trabalhos é essencial para uma melhor compreensão da trajetória que moldou o panorama artístico atual, e decisiva para a formação de uma nova geração de artistas”, diz o curador da mostra, Pedro Modesto.

 

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