Lemmy: a cara e o estilo do Motörhead personificados, em show em São Paulo. Stephan Solon/Divulgação

(São Paulo, BR Press) – Num final de semana de Virada Cultural, que levou cerca de quatro milhões de pessoas às ruas paulistanas para assistirem a cerca de mil shows gratuitos, o Motörhead levou uma pequena multidão de três mil ao Via Funchal, pagando de R$ 140 a 250, na estreia da temporada brasileira da turnê do novo CD, The World Is Yours (2010), no último sábado (16/04). A banda se apresentou também em Curitiba, no Master Hall, no domingo (17/04), e repete a dose em Florianópolis, nesta quarta (20/04), e em Brasília, na sexta da Paixão (22/04).
Paixão, aliás, foi o que se viu em Sampa. O som altíssimo soava democrático como um diluidor de tribos e gerações, numa plateia eclética: jovens e senhores rockes, punks, heavies, cabeludos e skatistas. Todos entrosados aos acordes de hinos barulhentos da banda-instituição que já dura mais de 30 anos, como Overkill, Ace of Spades e Stay Clean.

Sem firulas

Assim, também entrosadíssimos, são Lemmy Kilmister, cantor, baixista e líder da banda, o guitarrista Phil Campbell e o baterista Mikkey Dee. Sem firulas ou pirotecnia, o trio mostra porque é power e porque Motörhead é sinônimo de peso. Visto um show, viu-se todos. Mas por que as pessoas lotam as casas por onde essa manjada gangue passa? Justamente por não ter erro – é barulho bom e executado à perfeição o que sai das paredes de amplificadores Marshall.

Motörhead é mais do mesmo – desde sempre. Dá-lhe Metropolis, Over The Top, The Chase Is Better Than the Catch, Killed By Death e a sempre apropriada aos Trópicos, Going To Brazil. Lemmy, usualmente ‘destruindo’ seu baixo Rickenbaker ultrapedalado, cheio de efeitos, comanda o show. “Vocês não eram nem nascidos quando compusemos essa música [I Got Mine, do mais manso e, por isso, mais impopular álbum Another Perfect Day,  de 1983]”, sacaneia Lemmy.

Ele está lá no palco, impassível, com seu chapéu de cowboy, bigodón, o microfone alto, queixo pra cima, a calça justíssima. A voz é áspera, rouca, estragada propositalmente por muito cigarro e Jack Daniels. Aos 65, Lemmy não precisa fazer gênero – é asim desde que se conhece por gente, quando o Motörhead começou, em 1975. E o fato de ser tão fiel ao seu próprio estilo rendeu-lhe um documentário-homenagem homônimo, que será exibido no Brasil no festival In-Edit (veja programação aqui LINK[ /in-edit-brasil.com]).

Zunindo

Misturam-se no palco clássicos, como Iron Fist, com Get Back In Line, do novo álbum – este sem animar muito o público sedento pelo certo, não pelo duvidoso. Reza a lenda que Lemmy perdeu boa parte da audição por causa do volume dos instrumentos. Alguém duvida? Alguém se importa? Ouvidos zunindo são um sintoma “orgânico” de um show do Motörhead – assim como soa o rock do grupo, em tempos de emo e outras nomenclaturas frufru para o surrado gênero.

SERVIÇO

Florianópolis (20/04), às 21h.
Ingressos: De R$ 150 a R$ 400.
Floripa Music Hall – Henrique Valgas, 113; (48) 3222-8416. Vendas em www.blueticket.com.br .

Brasília (22/04), às 22h
Ingressos: De R$ 80 a R$ 260.
Setor SRPN – Ginásio de Esportes Nilson Nelson – Asa Norte
Vendas:
*Bilheteria oficial sem taxa de conveniência: Brasilia Shopping SCN Qd. 05 Bloco A Piso G1 – Brasília – DF – Central de Ingressos. Horários:segunda à sábado das 10h às 22h / domingo das 14h às 20h
*Internet: www.livepass.com.br
*Call Center: 4003 1527
Classificação etária: Não será permitida a entrada de menores de 12 anos; 12 anos a 15 anos: permitida a entrada (acompanhados dos pais ou responsáveis legais); a partir de 16 anos: permitida a entrada (desacompanhados).

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