(Rio de Janeiro, BR Press*) – Os moradores de Jardim Gramacho, no município fluminense de Duque de Caxias, vão poder assistir em um telão na praça que tem o nome do bairro a cerimônia de entrega do Oscar neste domingo (27/02). É que documentário Lixo Extraordinário, que mostra o trabalho realizado pelo artista plástico Vik Muniz com catadores do aterro de Gramacho, o maior da América Latina, é indicado ao prêmio de Melhor Documentário. 

   E quem promete brilhar na festa do Oscar é o catador de lixo Sebastião Carlos dos Santos, o Tião. Ele pode dividir palco do Kodak Theatre com gente como Brad Pitt e Johnny Depp, depois de virar o astro do documentário sobre o poder transformador da arte. Tião começou a catar lixo aos 11 anos com a mãe e, depois de dar uma entrevista ao Globo Repórter, passou a ser conhecido como "filho da xepeira" – o que lhe causava certo constrangimento até virar "muso" de Vik Muniz.
 
    O artista pintou um quadro inspirado na obra Marat Assassinado, de Jacques Louis David (1748-1825), cuja pose de Tião nesta foto ao lado, por sua vez, lembra muito a pintura. O quadro foi vendido por US$ 100 mil num leilão em Londres e, com o dinheiro, Tião iniciou uma associação de catadores do lixão, presidida por ele.
 
    Creditado como dirigido somente por Lucy Walker, Lixo Extraordinário é uma coprodução de Brasil e Inglaterra e tem mais da metade das cenas editadas pelo brasileiro João Jardim. Sua presença na cerimônia do Oscar não é tão garantida quanto a do carismático catador.
 
Filme e festa
 
    Antes da cerimônia, será exibido no telão o documentário candidato ao prêmio no Jardim Gramacho. Haverá também um show do AfroSamba. A exibição do filme e da festa do Oscar fazem parte do evento Aldeia da Cidadania, realizado por Furnas a pedido do Fórum Comunitário de Jardim Gramacho, que é assessorado pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).    Os catadores, maioria da população de Gramacho, estão em litígio com a prefeitura de Duque de Caxias, que promete desativar o aterro em 2012 e criar um fundo de R$ 1,2 mihão para recolocação destes trabalhadores no mercado de trabalho. O futuro é incerto mas hoje a noite é deles.
 
    Tião e um grupo de outros trabalhadores do enorme lixão só vieram à tona por meio do trabalho de Vik Muniz, que lança uma luz sobre uma atividade que a sociedade preferiria ignorar: o destino do lixo produzido por ela mesma.
 
(*) Com informações de Augusto Gazir, do Ibase.

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