Por Rui Martins – direto do festival de Berlim – O cineasta Werner Herzog e mais três de sua equipe desceram numa grota, no sul da França, e filmaram em 3D as pinturas rupestres mais antigas do mundo, feitas há cerca de 30 mil anos.

 O título do documentário é A Caverna dos Sonhos Perdidos, pois ali ficaram esquecidos e protegidos por um desmoronamento que fechara a entrada da gruta.
 
As pinturas e desenhos, num total de 400, são de qualidade excelente, dignas de profissional, mostrando com perfeição animais que viviam na região, especialmente cabeças de cavalos.
 
Além dessa prova documentária – pois a grota Chauvet (nome do seu descobridor) é proibida a turistas, a fim de serem preservadas as pinturas – o filme de Herzog tem o valor de ter sido filmado em espaços apertados sem perder em qualidade, permitindo a todos os espectadores participarem também da descoberta dessa grota, conhecida só em 1994.
 
Além de contestar os criacionistas, para os quais a existência do homem no planeta é recente, as imagens, segundo Herzog, feitas, imagina-se sob a luz de tochas, mostram que os artistas da época já possuíam uma concepção de movimento. As figuras não são feitas em superfícies planas, mas em paredes de galerias onduladas e superfícies acidentadas.
 
Werzog foi o único cineasta autorizado a entrar e filmar, segundo exigências bem restritas, pois na grota mesmo os cientistas têm visitas espaçadas e controladas. Serviu-se de uma câmera pequena e semiprofissional. A região tinha, na época, rinocerontes, ursos, leões, cavalos, leopardos e um desenho mostra uma estranha forma feminina com cabeça de leão.
 
O documentário de Herzog não está na competição, mas incluído no programa de filmes em 3D com o desenho de Michel Ocelot, Os Contos da Noite, e o filme Pina, de Wim Wenders.
 
 
Fonte: Brasil de Fato

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