Michel Teló é um artista que tem a capacidade de chamar os holofotes para ele. Recém-contratado da Som Livre, o loiro se tornou um fenômeno no Twitter, rede social na qual ele tem mais de 50 mil seguidores.

Para se ter uma ideia de sua popularidade “virtual”, sempre que faz alguma aparição em rede nacional, seu nome fica entre os chamados trending topics do site (uma espécie de ranking dos assuntos mais comentados na rede). Além disso, embora tenha lançado recentemente o seu novo disco, Ao Vivo, Michel já vem realizando ensaios para se apresentar no badalado carnaval de Salvador (BA), onde terá um bloco especial, que dividirá com João Bosco & Vinícius. Confira abaixo estas e outras novidades da agitada carreira do artista em entrevista exclusiva concedida por ele ao Visto Livre Magazine. (Por Gustavo Godinho)

Visto Livre: Antes da gente entrar no disco em si, vamos falar da sua participação no Domingão no Faustão. Como rolou o convite?

Michel Teló: Todo o artista sonha em ir ao Faustão. Inclusive, há um ano, eu ficava imaginando essa minha participação no programa dele, porque realmente é um programa muito disputado por todos os artistas. Eu tive a alegria em lançar esse meu primeiro trabalho pela Som Livre no Domingão do Faustão. Mostrei as canções, cantei a “Fugidinha” e realmente estou muito feliz.

Visto Livre: Você fez vários números ao vivo lá. O que isso representou em sua vida profissional?

Michel Teló: Em apenas um ano de carreira solo, acho que a gente já fez bastante coisa. Agradeço a Deus por tudo que consegui, mas ainda tenho que trabalhar muito. Mas a gente conseguiu entrar na Globo, no Faustão e a música está na Malhação. É claro que por a gente estar na Som Livre, as portas se abrem com mais facilidade na Globo. E o legal é o que Faustão gostou do trabalho. A gente chegou lá e cantou um monte de canção ao vivo. É uma adrenalina muito grande e repercutiu demais.

Visto Livre: Em termos comerciais, o que representou esse “pocket-show” no Faustão?

Michel Teló: Você tem que construir uma carreira devagar. Tudo é importante. Você começa a tocar em rádios e daí, se a música cai no gosto da galera, começa a tocar em vários lugares do Brasil… e o Faustão tem uma credibilidade muito grande. Com certeza, essa minha apresentação no programa dele fez com que o telefone do escritório tocasse diferente. As pessoas te olham diferente também. O mercado de shows inteiro te olha de uma forma diferente. Isso é muito legal. A repercussão está muito legal, mas a gente não vai parar de trabalhar. A gente quer continuar levando música e alegria pra todo mundo.

Visto Livre: E você já conseguiu ser um dos nomes mais citado no Twitter. A que se deve esse feito?

Michel Teló: Eu acredito que seja esse lance do Faustão. No dia em que eu me apresentei ao vivo, o meu nome ficou entre os três mais comentados no Twitter mundial. Isso é muito bacana. A gente ficou muito feliz sobre a galera comentando de forma positiva a minha participação.

Visto Livre: E você usa o twitter para angariar novos fãs? Qual é a sua relação com essa rede social?

Michel Teló: É total. É um vício (risos). Virou um vício. O tempo todo eu estou twittando, contando as novidades. O twitter dá um contato direto com os fãs. Isso é bacana. Esses dias eu fui pescar, daí na mesma hora em que pesquei um peixe, postei a foto no twitter e os fãs já interagiram. É um contato muito bacana.

Visto Livre: O twitter é uma ferramenta de trabalho para angariar novos fãs, em meio as crises de gravadora e venda de CD?

Michel Teló: Eu acredito que sim. Logo que lançou, eu já coloquei os links de venda dos meus produtos, através do site da Som Livre. E logo que eu coloquei, já esgotou no site. Antes de ter em qualquer loja, você já disponibiliza pra galera a compra virtual e o fã já quer. Com certeza fideliza sim. É diferente você só ter a música no player e ter o produto original.

Visto Livre: Como surgiu a “Fugidinha”?

Michel Teló: Foi uma sacada muito bacana do Dudu Borges, meu produtor e amigo. Um dia a gente tava conversando e ele me disse que o papo da música sertaneja tava muito próximo do que o pessoal do samba está fazendo, em especial do Exaltasamba. Aí entramos em contato com eles e eles nos enviaram várias canções. Dentre elas estava a “Fugidinha” e a hora em que o Dudu e eu ouvimos, foi um estalo e tínhamos certeza de ter achado uma canção de sucesso. Daí ficamos com a preocupação de trazê-la para o arranjo sertanejo. Foi um trabalho bacana em que o Dudu, meu irmão e empresário Teófilo Teló e eu fizemos no estúdio e acreditamos nisso. Inovar não é fácil. Demos a cara pra bater e deu certo, embora algumas pessoas não tenham acreditado na gente. A partir do momento em que lançamos a canção e eu ouvi tocar em rádios e casas sertanejas, foi ótimo. Logo que eu lancei a canção, fui ao Villa Country assistir o show de alguns amigos e quando eu ouvi a “Fugidinha” tocando no som da casa, a casa foi abaixo. E hoje, com um pouco mais de quatro meses, ela já está com mais de oito milhões de visualizações. São 100 mil visualizações por dia. Isso no youtube. E sem dúvida, a “Fugidinha” foi responsável por esse grande momento da minha carreira.

Visto Livre: Você acha que toda a aura de duplo sentido que envolve a “Fugidinha”, além de ela ter vindo do samba, já é um trabalho para ela virar um hit do carnaval?

Michel Teló: Quem sabe, né? Esse ano tocarei na Bahia, teremos um bloco sertanejo. Michel Teló e João Bosco & Vinícius. Estaremos fazendo um barulho lá no carnaval. Tocarei o carnaval todo e com certeza vamos sim trabalhar a “Fugidinha”, pelo lance do duplo sentido, porque na verdade, a galera não se liga muito no duplo sentido, no lance da “Fugidinha”. A criança canta pensando em fugir de alguma coisa, fugir de tomar banho por exemplo. Ela não pensa da forma em que o adulto pensa. Na verdade, depende muito da cabeça e do momento (risos). Mas é importante esse lance do samba. A gente conseguiu trazer ela pro sertanejo, sem perder a sacada do Rodriguinho e do Tiaguinho, que foi espetacular. Ela acabou virando uma canção pop.

Visto Livre: E por que você não aproveitou e gravou com ele, a exemplo do Maria Cecília e Rodolfo?

Michel Teló: Na verdade, acho que chegou a hora de eu fazer um trabalho sozinho. Meu outro sucesso, a “Ei, Psiu! Beijo, Me Liga”, já tinha sido cravada com João Bosco & Vinicius. Eu precisava de uma canção que fosse só minha. Eu precisava de uma música pra acreditar em mim. Algumas pessoas dizem que a “Ei, Psiu!” estourou porque tinha o João Bosco & Vinicius ou algo assim. Realmente a música era muito boa, era a minha primeira música como cantor-solo e eu queria convidar amigos do sertanejo para participar comigo, porque era o mercado em que eu estava me lançando. No atual momento em que minha carreira se encontrava, eu precisava de uma canção em que a galera falasse: “É o Michel que tá aí na área, para cantar pra galera”, então por isso decidi cantar sozinho. Mas de qualquer forma, seria maravilhoso dividir o palco com o Exalta, que também é um fenômeno da música brasileira. Onde eles passam, arrastam multidões e o som deles é muito bom. Seria maravilhoso gravar com eles, mas acho que isso fica para um próximo CD.

Visto Livre: E esse CD e DVD, cite outras canções… há outras participações?

Michel Teló: Não tem nenhuma participação nesse disco. Foi realmente o Michel Teló solo mesmo. Eu gostaria que o disco tivesse algumas participações, mas na correria a gente resolveu gravar num espaço curto de tempo, os artistas tem sua agenda programada e acabou não dando certo. Mas isso foi bom também, porque eu aproveitei para mostrar o meu trabalho mesmo. Das canções, tem aquelas que não podem faltar, como a “Ei, Psiu! Beijo Me Liga”. Além disso, temos 11 canções inéditas, contando com a “Fugidinha”. Tem a “Me Odeie”, que foi uma regravação que eu fiz da banda Reação em Cadeia, pessoal do rock lá do Sul… eu a trouxe para o sertanejo. Essa canção tem uma letra forte. Além disso, não poderiam faltar aqueles modões mais tradicionais, como “60 Dias Apaixonado”. Eu sou suspeito de falar, porque a seleção do repertório foi feita por mim, escolhei as que eu gostava e me sentia bem para cantar e lógico, as pessoas se identificando também. Gosto da canção “Dominou Geral”, canção do Euller Coelho, junto com o Bruno, que faz dupla com o Marrone. Eles tinham feito um vanerão e a gente gravou ela em estilo romântico.

Visto Livre: E composição própria?

Michel Teló: Tem apenas uma ou duas só no DVD. Não tem muita coisa. Eu estou focado mais em carreira do que em composição, porque acho legal escrever. O João Bosco & Vinícius gravam mais canções minhas do que eu mesmo.

Visto Livre: E o trabalho novo já está nas lojas?

Michel Teló: Já está nas lojas de todo o Brasil. Inclusive, se o pessoal não achar, cobra do vendedor, heim! Vamos fazer o pessoal mandar para as lojas. Também está disponível no site da Som Livre. Há um link no meu site www.micheltelo.com.br e a galera pode comprar o DVD à vontade, que está com um preço bacana.

Visto Livre: Hoje, com toda a crise do mercado fonográfico, é melhor ser contratado da Som Livre (do que de qualquer outra grande gravadora), por causa do respaldo de TV que ela oferece?

Michel Teló: Realmente as gravadoras tiveram que mudar o estilo de trabalhar, por causa da pirataria. Artistas que vendiam 3 milhões de cópias, hoje vendem 100 mil. Tem muita gravadora que acaba pegando o percentual do artista. Outras acabam pegando o percentual de shows. A gravadora está mudando o foco porque a venda de CD realmente caiu. Então eu entrei com essa parceria com a Som Livre nesse segundo trabalho. O meu primeiro trabalho eu lancei de forma independente e agora a Som Livre abraçou esse projeto. Nós achamos interessante fechar com essa gravadora porque realmente queríamos ter uma visibilidade maior em TV. Uma força maior dentro da Globo, nas novelas. Foi isso que pensamos e o pessoal da Som Livre também estava interessado e o pessoal foi parceiro. Eles estão trabalhando com carinho nesse projeto.

Visto Livre: Você chegou com o trabalho pronto e eles só distribuiram?

Michel Teló: Eu cheguei com o trabalho pronto. Idealizamos o trabalho, levamos para eles e eles estão distribuindo e fazendo a mídia de TV.

Visto Livre: E como é sua parceria com os radialistas?

Michel Teló: Eu já fiz muito pé na estrada. Já passei meses visitando as rádios de todo o país. E acho que é por isso que os radialistas abraçaram o meu trabalho. Eu já conhecia praticamente todo mundo. Já havia feito essa parceria, que ainda continua. Tem que continuar. Se a rádio não tocar o artista, fica complicado. Se os radialistas não abraçarem o trabalho do artista fica muito difícil ele ter uma visibilidade. Quando eu vou para uma cidade fazer shows, dependendo da correira, eu faço o possível para ir visitar as rádios locais. Atender da melhor forma possível. Levar um violão, tocar algumas canções. Se o artista sair das rádios, ele fica esquecido.

Visto Livre: E vamos falar do carnaval. Vocês vai se apresentar junto com João Bosco & Vinicius no carnaval de Salvador. Vocês vão ter um bloco ou trio-elétrico?

Michel Teló: Essa negociação está recente. Vamos tocar um dia, em um bloco só nosso e vamos quebrar tudo até amanhecer. Agora começam os preparos para estar tudo perfeito para o dia do carnaval. Mas vou poder falar mais pra frente somente. E tem mais. Dia 31 de dezembro a data ainda está em negociação.

Visto Livre: E quais são os formatos de show desse novo trabalho?

Michel Teló: Depende da ocasião. Às vezes dá na cabeça e eu mudo o formato em cima da hora. É lógico que temos o formato oficial. Só que um show de trio elétrico é diferente, é bem animado e pra cima. Nesse formato de trio, pego canções de outras duplas e faço no formato de micaretas, além das minhas canções. Então basicamente são esses dois formatos, o de palco e o de micareta. Além desses, de vez em quando fazemos um show corporativo, que por ser em lugares menores, a gente dá uma mexida, fazendo um lance mais acústico. São esses três formatos.

Visto Livre: Qual será o formato de show do dia 31 de dezembro?

Michel Teló: A gente faz um show especial, mas não muda muito o repertório. Eu acredito que por ser um show de virada de ano, a gente tenta fazer um show mais animado ainda. Fica um show mais longo. Mas nada muito diferente.

Visto Livre: Qual é a importância do Sertanejo Pop Festival?

Michel Teló: Esse festival consolidou de vez a música sertaneja em SP. A Globo e os artistas abraçaram esse festival e vai ser muito bacana ter tanto artista de renome nacional envolvido. Eu to muito feliz de participar desse projeto e eu acredito que São Paulo já está no sertanejo. As baladas desse segmento já estão lotadas. Isso só tem a somar ao movimento, que é um dos mais fortes do Brasil.

 

 

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